Blog De Gelo

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quinta-feira, novembro 22, 2007

Uma nota de rodapé

Desde já um sincero pedido de desculpas a quem ficou expectante por alguma presença minha no blog. As minhas vivências andam apenas a contribuir para o meu envelhecimento prematuro mas, como antecipada resolução de ano novo, farei um vigoroso esforço de tornar a minha assinatura por estes lado rotineira.

Devo confessar o meu profundo fascínio por estudos humanos nomeadamente pelos que estudo e caracterizam, quase de uma forma friamente previsível, o comportamento humano em sociedade. Fico com a ideia, por ventura uma ilusão, que a partir de tais valências de conhecimento se pode extrapolar a mundana vida de alguém apenas pelos seus hábitos e tiques. Isto para chegar ao meu ódio de estimação: transportes públicos! Não no sistema per si, concordo e acredito que se todos nós andássemos mais de de transportes públicos o mundo seria substancialmente melhor ( partindo da premissa que os tidos estariam à altura da função). O que me mexe de uma forma pouco prazerosa são algumas das pessoas que utilizam este meio de transporte. Durante estes breves minutos que partilho com tais indivíduos tropeço, de uma forma reiterada, na sensação que o civismo vai pela janela se é que alguma vez o tiveram assim que entram numa paragem ou estação. Skinner explicaria esta atitude com a sobrepopulação em espaços reduzidos, mas como prefiro acreditar que poderemos ser mais que apenas analogias de ratos no que toca ao comportamento custa-me a crer que ninguém repare que se deixarmos passar quem vai sair primeiro é mais eficiente que simplesmente entrar para assegurar o "meu" lugar.

No entanto deparo que ao longo da viagem ( 40 minutos de comboio dão para divagações meio que constrangedoras) são bastante perceptíveis os traços da personalidade de cada passageiro. Questões de asseio, de imagem pessoal, ou apenas do cuidado que cada um tem com os pertences. Ao fim do dia parece-me um tanto ao quanto fascinante que num local se consiga ver traços únicos de identidade e em simultâneo uma anónima massa de gente parva!