Está quentinho...
São em dias como estes que este blog vê a sua existência ameaçada...Damn it's hot!
Após umas arrumações de verão em muito necessárias, e algo impostas por gentes cá de casa, deparei-me com um livro de Sonetos dum conterrâneo meu....
Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia – o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
que engrole sob-venites em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
"Aqui dorme Bocage, o putanheiro:
Passou a vida folgada, e milagrosa:
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro."
Este, mais que os outros, apesar de também serem algo refinados, destacou-se pela sarcástica sinceridade. Num mundo cheio de pavões ocos, há sempre espaço para um pouco de autocrítica e redenção. Já agora tomem lá uns trocos e uns cúbitos de gelo que com uma bebida fresca o calor até se digere melhor......
